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O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, voltou a elogiar o Governo de José Sócrates. Foi ontem durante a cerimónia de apresentação de trinta novos efectivos da Polícia Municipal. “Agradeço ao ministro da Administração Interna porque desencalhou” um problema que se arrastava há anos, deste o tempo da governação do PSD, sublinhou o autarca, apontado como candidato à liderança do partido no pós-eleições legislativas de 2009.

(…)

“Durante este tempo todo nada foi feito, só com o actual Governo foi possível desencalhar” a questão, que considerou importante para o “reforço do sentimento de segurança” . O autarca, na breve intervenção perante os novos agentes, afirmou que elogiou a executivo de José Sócrates, e continuará a fazê-lo, sempre que este apresente medidas positivas. 

Diário de Notícias, 14-02-2008 

Nada corre bem ao PSD.São as críticas assassinas de Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo.

São estas notícias do CM de ontem.

É o líder Luís Filipe Menezes que não obstante os 30.000€ pagos mensalmente a Cunha Vaz não consegue descolar nas sondagens, e tem que partilhar o espaço mediático com Santana Lopes.

É todo um partido que conspira nas costas de um líder recém-eleito, um autêntico bebé numa incubadora, a que ninguém quer dar hipótese de sobrevivência.  

Vives pela espada, morres pela espada, deve estar Marques Mendes a pensar.

(…)

Num país onde se anuncia a distribuição de subsídios para incentivo à natalidade, permite-se, paga-se, facilita-se a eliminação diária de 40 crianças. A política do subsidio é a política da esmola. Não é a pensar nas esmolas que se tem mais filhos. Uma política de família, de natalidade, começa com a protecção aos laços de parentesco da filiação, da relação de pai/mãe-filho. Só a hipocrisia política pode escolher compensar o aborto pago, liberalizado e banalizado com subsídios à natalidade.

(…)

A hipocrisia política que dita a participação do Estado na exclusão de milhares de crianças que estão por nascer é o atentado aos direitos humanos do nosso tempo. Não podemos calar, não podemos ignorar o flagelo do aborto. Por isso, revogar a lei do aborto é um imperativo do Estado de direito. É um imperativo de civilização, é um imperativo de qualquer política de direitos humanos e da família. 

Isilda Pegado in Público, 14-02-2008

Isilida Pegado é a Presidente da Federação Portuguesa Pela Vida. Advogada, e mãe de 4 filhos, foi deputada pelo PSD entre 2002 e 2005. Foi uma das activistas mais empenhada pelo “Não” no referendo pela despenalização da Interrupção Voluntária da gravidez. Tão empenhada que me lembro de quase ter perdido as estribeiras num dos programas Pós e Contras da RTP, dedicado ao tema. Por acaso tive a oportunidade de testemunhar ao vivo esse episódio, ali para os lados de Carnide. O radicalismo do seu discurso incomodou alguns dos apoiantes do “Não” que estavam presentes. Certamente cientes que era contraproducente perder a calma, ser exaltado. Desses tempos, mais radical só mesmo Fernando Santos (o treinador) que declarou em directo que “era contra o aborto qualquer que fosse a circunstancia”. Registei-lhe a coerência. Ou se era pela vida ou não.  

Decidi pegar no artigo escrito por Isilda Pegado porque espantou-me que passado um ano ainda continue a usar da mesma linguagem radical que a caracterizou nos meses que antecederam ao 11 de Fevereiro de 2007. A mesma pessoa que escreve coisas como “eliminação diária de 40 crianças”, “aborto pago, liberalizado e banalizado”, “a participação do Estado na exclusão de milhares de crianças por nascer é o atentado aos direitos humanos do nosso tempo” é aquela que interveio na Assembleia da República com bonitas frases como estas:

“Educar para a liberdade é dar. Dar para que no futuro possa haver comparação e escolha e assim possamos ser homens livres” em 25-05-2002, quando falava sobre o ensino de Educação Moral e Religião Católica;

“Queremos fazer leis que valorizem as pessoas e os agentes, não queremos uma sociedade podre por dentro e fictícia” em 15-05-2003, quando falava sobre a insolvência de pessoas singulares e colectivas. 

A escolha como condição para a liberdade.

A lei para valorizar pessoas e evitar uma sociedade podre por dentro e fictícia.

Se fosse coerente com aquilo que afirmou não escrevia que “revogar a lei do aborto é um imperativo do Estado de direito”. Não escrevia ponto.

Frase do Dia

“Amar é metade de crer” 

Vítor Hugo

Chantagem Sindicalista?

Os enfermeiros admitem abandonar as Unidades de Saúde Familiar (USF) se os incentivos financeiros que lhes forem atribuídos não sejam equiparados aos dos médicos, disse à TSF, esta quinta-feira, a vice coordenadora do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.Se a proposta da ministra da Saúde «for semelhante ou igual» àquela que foi remetida à classe no final do ano passado, e que já mereceu a análise de «todos os enfermeiros que fazem parte das USF, estes profissionais da Saúde «irão tomar uma posição de eventualmente abandonar as USF», alertou Guadalupe Simões.Este alerta surge depois de a ministra da Saúde, Ana Jorge, ter revelado à TSF que vai enviar aos parceiros sociais a portaria que define os incentivos financeiros para os profissionais organizados em USF, qualificando-os de «suficientemente aliciantes».

TSF, 14-02-2008

O SEP (Sindicato dos Enfermeiros Portugueses) que faz parte da CGTP, coloca na prática aquilo que eu ontem aqui comentei sobre o artigo de Jorge Fiel.
E permitam-me que faça um aparte sobre o meu comentário de ontem. Obviamente que Jorge Fiel não é inocente quando faz um artigo daquele teor. Um sindicalismo fraco permite uma maior acumulação de lucro por parte dos empregadores, não tenho dúvidas disso. E bem sei de que lado Jorge Fiel está. O que acho errado, e lesivo dos próprios direitos dos trabalhadores é que determinadas tendências sindicais, escondem-se atrás de conceitos como “defesa dos trabalhadores” para fazerem jogo político. É esse modelo de sindicalismo que condeno, e que infelizmente é o modelo de sindicalismo dominante em Portugal, através da CGTP.
Por coincidência, hoje a “insuspeita” Guadalupe Simões faz as declarações que coloquei em cima.
É o tal extremar de posições que não tem como objectivo conseguir melhorias, mas sim fragilizar desde já a nova Ministra da Saúde. O Sindicato ao serviço de determinado partido…
E como? Exigindo que os incentivos financeiros sejam equiparados aos dos médicos. Faz-se uma reivindicação que à partida já se sabe ser impossível. Assim arranja-se o mote para a próxima greve.
Falando por toda uma classe “todos os enfermeiros que fazem parte das USF” para parecer que falam por todos os enfermeiros em Portugal.
Depois das denúncias de tentativas de instrumentalização do PCP aquando da eleição da Bastonária dos Enfermeiros, Maria Augusta Sousa, aqui temos a Guadalupe Simões a exercer o modelo de sindicalismo português…

Autópsia da CGTP

Lembram-se daquelas imagens de Berardo, de braços no ar, a ser vitoriado como um salvador por velhos trabalhadores com bandeiras da CGTP, à saída da assembleia da PT que assinalou a derrota da OPA da Sonae?

Essas imagens são a certidão de óbito passada ao sindicalismo português. E quem tivesse dúvidas ficaria com elas completamente desfeitas ao saber que a CGTP, campeã da luta por melhores salários, contratos definitivos e o direito à greve, emprega funcionários a recibo verde, que ganham mal e são desaconselhados a fazer greve.

Esclerosados, incapazes de compreender e se adaptar a um mundo que muda a 200 km/hora, os nossos sindicatos já estão mortos há uma data de tempo. O problema é que alguém se esqueceu de os avisar. O 11º Congresso da CGTP, que reúne esta semana, é um misto de encontro de «zombies» e ajuste de contas entre comunistas da linha dura e «compagnons de route» que a direcção do PCP passou a catalogar como idiotas que já não são úteis. As colunas dos jornais dedicadas ao congresso são preenchidas com especulações sobre a relação de forças que sairá da reunião. Já se sabe que o PCP controla a central com mão de ferro. Dos 19 membros da Executiva há nove que são do Comité Central do PCP. E o secretário-geral, Manuel Carvalho da Silva, é militante desde 1975. O problema é que o «Manel» amoleceu. Pôs-se a estudar Sociologia à noite, casou-se com uma mulher 25 mais nova e doutorou-se com uma tese em que tenta encontrar uma resposta para o fracasso dos sindicatos.

Pedro, um jovem licenciado em Belas Artes que trabalha na área de marketing da PT, não esteve a aplaudir Berardo no Fórum Picoas. Não é sindicalizado, como três em quatro trabalhadores portugueses. Quando lhe perguntam porquê, explica por outras palavras que o sindicato não lhe serve para nada. A resposta é cuidadosa, ele é o filho mais velho de Carvalho da Silva. O «Manel» já percebeu que os sindicatos não têm futuro. Falta-lhe a coragem de assumir que gastou em vão 25 anos da sua vida. Compreende que a globalização, o individualismo, os fluxos migratórios, o aumento da esperança de vida, a revolução tecnológica, o aumento brutal da precariedade no trabalho (20% da força de trabalho em Portugal vive à margem de qualquer tipo de contrato) e a reorganização do capitalismo passaram ao lado dos sindicatos que pararam no tempo das máquinas de escrever e da televisão a preto e branco. Mas em vez de confessar a impotência do sindicalismo em sobreviver, adaptando-se às novas realidades, prefere culpar as desvairadas mudanças pela morte da CGTP.

O 11º Congresso da CGTP seria útil se em vez de servir de palco a lutas intestinas do PCP procedesse a uma autópsia honesta ao sindicalismo português. E se em vez da Executiva, elegesse uma Comissão Liquidatária.

Jorge Fiel in OJE 12.02.2008

Pouco mais tenho a acrescentar a este artigo de Jorge Fiel. Não gostei (apesar de ser uma ironia da vida) da referência ao filho de Manuel Carvalho da Silva. Não concordo obviamente com a visão de que os sindicatos não têm futuro. Têm, mas não como marionetas de partidos políticos. Fazem falta para defender os trabalhadores, não para os instrumentalizar. Mas será que os defendem insultando Sócrates, Durão ou outro que não alinhe com o “Partido”? Certas classes profissionais em Portugal estão há 30 anos em protesto. Nunca nada está bem. Os exemplos são demais conhecidos, nem me vou dar ao trabalho de os enunciar. Certos dirigentes sindicais perpetuam-se no poder. Que grande anedota o centralismo democrático…

O que se passa na CGTP hoje é vergonhoso: os direitos dos trabalhadores são um chavão que serve para camuflar as acções de rua do PCP. Este tipo de sindicato não interessa nem ao patronato nem aos trabalhadores: interessa apenas à ortodoxia marxista que se orgulha de ter parado no tempo.

Quer na Europa, quer nos Estados Unidos a força dos sindicatos, que não estão assentes em dogmas científicos de génese comunista, é muito grande. Lá fora os sindicatos dialogam, exigem, manifestam-se, ganham direitos. Em Portugal nada disso interessa, pois um acordo entre patrões e trabalhadores esvazia o espaço político do Partido Comunista. Até quando?

Frase do Dia

“É um péssimo cozinheiro aquele que não pode lamber os próprios dedos”

William Shakespeare

Após uma breve (e espero que muito rara no futuro) interrupção o emlumebrando está de volta. Perdoe-me quem já aqui se habituou a visitar este espaço. Até já!

A demissão do ministro da Saúde destruiu o mito do ’super-Sócrates’, o homem imune às pressões dos “media”, às pressões do partido e às pressões da rua - as três forças que arrumaram Correia de Campos na prateleira dos remodelados. A falta de jeito para a política do ex-ministro da Saúde explica metade da história. A restante só pode ser compreendida através da monumental demagogia que varreu Portugal a propósito de casos desgarrados e exemplificativos de… absolutamente coisa nenhuma.

A última dessas ondas demagógicas foi o célebre telefonema do INEM para os Bombeiros de Favaios (genialmente caricaturado por Ricardo Araújo Pereira num vídeo na Internet). Esse triste episódio, se demonstra a crise de alguma coisa em Portugal, é a crise da educação, da formação profissional, do civismo e do serviço público. Começamos por ter uma senhora que não sabe o seu número de telefone; passamos para um homem que diz, aparentemente com grande descontracção, que o irmão está morto (irmão de quem não sabe a idade ao certo) e continuamos com dois bombeiros, de duas corporações diferentes (Favaios e Alijó) que afirmam não ter meios humanos.

Perante isto, qual é a culpa do INEM ou do ministro da Saúde? Quanto dinheiro dos nossos impostos vai para educação, que não tem qualquer retorno? Quanto dinheiro damos aos bombeiros para termos uns amadores atrás de um telefone, atarantados e gaguejantes, sem saber o que fazer? Isto não é a crise do SNS. É o retrato de um país onde há zonas terceiro-mundistas! Depois, vieram as pressões do partido. Os pais fundadores do SNS, como Arnaut, as consciências de esquerda, como Alegre. Tudo gente estimável e acima de qualquer suspeita, mas convicta de que os recursos são inesgotáveis. Não lhes chegou o exemplo das reformas (que a geração deles recebe quase por inteiro, alguns desde a meia-idade, mas que a minha não receberá antes dos 66 ou 67 anos e cheia de descontos, e a geração das minhas filhas nem sabe se alguma coisa receberá). Pessoas que sabem que a Saúde tem custos aterradores, que as pessoas vivem cada vez mais anos e que o sistema não aguentará, mas que insistem na inutilidade da reforma. Foi a ideia da anti-reforma que o país adoptou. E foi a ideia de um chefe do Governo imune ao tacticismo eleitoralista que ruiu. Sócrates é, como os outros, sensível ao apelo da rua, do partido, dos “media”. Até Outubro de 2009 nada de relevante será feito em Portugal.

Henrique Monteiro in Expresso 

Apreciei este artigo de opinião no Expresso. Põe o dedo na ferida, e contraria a vaga de críticas sustentadas em argumentos pouco sérios, de fácil populismo, que certos sectores da sociedade portuguesa têm usado contra Sócrates, nomeadamente em matérias de Saúde. Existem razões válidas que justifiquem críticas? Sim. Existe um claro aproveitamento por parte da oposição, de certos sectores da comunicação social controlados por determinados grupos económicos e ainda, pela ala alegrista do PS? Sem qualquer dúvida.

Embora concorde que a imagem de político imune a determinadas pressões tenha ficado um pouco abalada, a verdade é que é essa mesma imagem que é profusamente criticada. Estrategicamente poderá ser um passo atrás, para posteriormente dar dois à frente. O mito do “Super-Sócrates” pode ter sido beliscado, mas enquanto as alternativas forem Menezes, Jerónimo, Louçã e Portas, os portugueses não hesitarão na sua escolha. E eu também não.

Frase do Dia

“Faz sempre primeiro o que mais difícil te parecer”

Ralph Emerson

Para reflexão…

Criar um novo partido à esquerda do PS, algures no intervalo que deveria separar o PS do PCP e do BE, é entregar o partido à indefinição centrista, à sede de poder pelo poder e às facções mais à direita que por lá militam. Parece haver quem queira retirar como consequência lógica dos resultados eleitorais de Manuel Alegre e de Helena Roseta a criação de uma nova força partidária, a qual resolveria os diferendos vividos. Mas o problema não reside em Manuel Alegre, Helena Roseta ou nos militantes que se identificam com uma linha ideológica mais à esquerda. O problema reside precisamente no facto de o PS se ter transformado num partido com uma matriz muito próxima do centro-direita. A ala à esquerda do PS não precisa de outro partido; precisa que o PS volte a ser um partido de esquerda.
Faz falta ao sistema político-partidário uma força de esquerda com a implantação eleitoral do PS. A co-habitação de um partido como o PSD com esta versão do PS é redundante e empobrecedora. Além disso, compreensivelmente, o PSD faz muito melhor de PSD do que o PS. Esta aventura pelo centro-direita do PS de Sócrates só tem resultado bem porque os sociais-democratas optaram consecutivamente por soluções tão populistas como pouco credíveis nas figuras de Santana Lopes e de Luís Filipe Menezes.
Ao contrário do que muita gente pensa, a culpa da crise no PSD não é da responsabilidade de Sócrates, mas ainda dos efeitos dos governos e do PS de António Guterres. Deixem o PSD voltar a encontrar uma referência séria para líder, com um discurso ideologicamente coerente e sério, para ver o pandemónio em que se vai transformar o Largo do Rato nas mãos da elite dirigente que os anos Sócrates têm promovido.

Miguel Silva in Bios-Politikos

Tudo sobre as Presidenciais nos Estados Unidos da América.

Informação exaustiva e actualizada no Observatório do ITD.

Uma referência colocada em lume brando…

Carvalho da Silva diz que o próximo mandato à frente da CGTP será o último.

Pode ler aqui.

Não espanta tendo em atenção o que foi escrito aqui.

A minha posição sobre Carvalho da Silva e a política imperialista do PCP em relação à Intersindical aqui fica.

Não altero uma virgula.

O Zé quer moralizar?

“José Sá Fernandes vereador com o pelouro dos Espaços Verdes na Câmara Municipal de Lisboa quer “moralizar a situação das concessões de bares e restaurantes na cidade”, sob a sua jurisdição, promete concluir este processo “até ao fim do ano”, mas não conseguiu explicar ao DN quais os critérios que têm regido até agora concessões e rendas cobradas pela autarquia.”

Leia a versão integral aqui

Então mas se desconhece os critérios, com que base afirma que existem espaços que pagam muito pouco? O Zé quer moralizar? O Zé do Bloco?

Uma pequena dúvida

Alberto Costa, Ministro da Justiça irá ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre as declarações do Director Nacional da PJ, Alípio Ribeiro, que afirmou que a constituição dos pais de Madelaine McCann como arguidos foi “uma precipitação”.

Aguardarei serenamente pelos esclarecimentos, mas existe uma questão que me parece pertinente: Alípio apresenta demissão ou é preciso ser demitido?

Sem espinhas

“Em Espanha (e também por cá, sendo Mário Soares o exemplo mais notório) várias vozes se ergueram contra aquilo que consideram uma intervenção abusiva da religião na esfera política. O escândalo, porém, surge desproporcionado. Como grupos organizados de representação de interesses - com relevo para o económico, como aliás o PSOE sublinhou esta semana, ao insinuar que perante uma adopção da linha dura por parte dos bispos, fará o mesmo, “encorajando o autofinanciamento” (ou seja, cortando na generosa “ajuda” que lhes dá) -, as igrejas sempre tentaram intervir nos processos políticos. É normal e expectável: querem poder. E usam os meios que, em cada momento, estão disponíveis. A força quando é possível, a falsidade quando dá jeito - independentemente do que pregam os catecismos.”

Fernanda Câncio, sem espinhas. Leia o artigo completo aqui.

E já agora dê uma vista de olhos neste post do palavraberta, sobre o mesmo tema.

Dilema Democrata

Posso nem sempre concordar com aquilo que Ferreira Fernandes escreve, mas desta vez tenho que subscrever o artigo de opinião que pode ser consultado aqui. 

Referindo-se às primárias nos EUA, afirma que “mas quando a escolha se prolonga demasiado as fragilidades acentuam-se. E se a escolha só se faz na convenção, mostra-se um partido dividido a dois meses da eleição presidencial - é o perigo a que os democratas querem fugir.”

Sem dúvida. A sua análise (é desta vez) a minha análise.

Os projectos do PCP, Bloco e CDS-PP para realizar um referendo ao Tratado de Lisboa, foram chumbados ontem com os votos dos deputados do PS e PSD. Assinale-se o sentido de voto contrário ao da sua bancada, por parte de António José Seguro, que votou favoravelmente os projectos dos partidos da oposição, declarando-se de “consciência tranquila, o mais importante nesta vida”, e ainda as abstenções de Manuel Alegre, Pedro Nuno Santos, Teresa Portugal, Júlia Caré e Manuel Mota, do lado dos socialistas.

Na bancada do PSD, 4 deputados votaram a favor do referendo, e 10 abstiveram-se, entregando declarações de voto.

Assinalável, nesta comédia que é a vida, a posição de Pedro Santana Lopes, segundo o DN: (Santana Lopes) reconheceu que o PSD mudava de posição porque tinha mudado de líder, mas também por uma questão de responsabilidade. “Tínhamos uma posição de princípio favorável ao referendo, mas não dizemos que o tratado não é igual (ao Tratado Constitucional). No essencial, é o mesmo”. Santana Lopes invocou então uma mudança “de circunstâncias” para agora rejeitar o referendo. “Em 2004 e 2005 era justificável fazer um referendo, em 2008 não é, com sentido de responsabilidade e no plano histórico”. Mais tarde, a alguns jornalistas, Santana admitiu mesmo que não afasta a ideia de um referendo: “Acho até desejável, isto se não se colocar a Europa num impasse e se a construção europeia não ficar dependente de um ’sim’ ou de um ‘não’, como agora ficava”.

Esclarecidos com a posição de Santana Lopes?

Muito trabalho irá ter Cunha Vaz para pôr freio à ânsia de protagonismo do próximo candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa…

“Tensões internacionais, catástrofes naturais e desequilíbrios nas bolas: o ano do Rato, cujo início foi ontem celebrado por milhões de chineses, não traz consigo bons agouros.”

Ler mais aqui

O semanário SOL em nítido esforço de noticiar por noticiar, sem grande preocupação com erros ortográficos, ou sem ter noção do ridículo, brinda-nos com uma previsão para 2008, ou melhor para o “ano do rato”. A tradução da AFP é que poderia ter sido mais cuidada…

Frase do Dia

“A arte do descanso é uma parte da arte de trabalhar“

John Steinbeck

A minha primeira vez

O privilégio de poder apreciar e criticar a vida quotidiana é algo demasiado valioso para que não seja usufruído com frequência.

Ao fim de algum tempo, tal como o necessário para amadurecer um fruto, coloco online o emlumebrando. Faço-o de uma forma despretensiosa e sem grande disciplina. Como não acredito em verdades absolutas, e me considero livre, terá como linha de orientação, o reflexo do meu quotidiano, da minha linha de pensamento individual em relação ao mundo, da minha reacção aquilo que vai acontecendo nas áreas pelas quais me interesso.

A análise de conteúdo exaustiva que possam querer fazer aos meus escritos, numa óptica de descobrir algo sobre o autor é prescindível, porque não uso a escrita como camuflagem.

Tal como acredito que existe uma grande lacuna no exercício da cidadania em Portugal, onde as pessoas encontram a felicidade num telemóvel topo de gama e num carro pago a crédito, em vez de pensarem, agirem, mobilizarem-se pelas causas em que acreditam, também acredito que existe um excesso de crítica orientada, manipulada, controlada. Aqui fica o meu contributo, diminuto é certo, mas bem intencionado, para inverter esta situação.

Decidi colocar o emlumebrando online, inspirado em exemplos, em pessoas, em factos.

Por cá continuarei à procura de uma experiência gratificante e estimulante. Até já!